segunda-feira, 2 de março de 2009

Padre Ruffus e a Oração de Cura e Libertação


Fiéis lotam ginásio em busca da cura

Um ginásio lotado em absoluto silêncio. No palco, a adoração do Santíssimo Sacramento é ministrada pelo padre Edilson Leite, da paróquia de São Joaquim. Parte do público acompanha ajoelhado. Muita gente tem os olhos fechados e as mãos espalmadas apontando para cima. A senhora de joelhos, concentrada em sua oração, segura um álbum de fotografias. Duas jovens bonitas aparecem na foto que ela escolheu para erguer em direção ao palco. Não é a única a exibir fotografias em busca de cura para pessoas da família. Dali a uma hora, quando o padre Rufus Pereira, 75, anuncia o momento da bênção, centenas de outros retratos aparecem flutuando sob a multidão junto com medalhas, chaves de casa, bíblias e até latas de azeite. "Quando nos voltamos para Jesus buscando com oração e fé seu amor e seu poder, ele pode nos curar fisicamente", diz o padre indiano na quarta palestra proferida por ele no I Misericórdia Brasil. Rufus levou cerca de 13 mil pessoas ao Ginásio Paulo Sarasate no fim de semana. Doutor em Teologia Bíblica e exorcista autorizado pelo Vaticano, ele é responsável pelo Ministério de Cura e Libertação da Renovação Carismática Católica. "O Ministério mais importante do sacerdócio", afirma. Com a ajuda de uma intérprete, o padre, que usa o inglês nas palestras que dá ao redor do mundo, falou de maneira simples e direta sobre a presença do demônio na vida das pessoas. "Não somente o demônio existe como ele afeta a vida das pessoas por meio das tentações", afirma. Possessões são mais raras. Geralmente a interferência se manifesta em aflição, obsessão e opressão. "Estou dizendo o que o Vaticano e a Igreja dizem. Há alguns meses saíram seis páginas sobre Satanás no jornal do Vaticano", reforça Rufus. Mas o padre não quer apavorar ninguém. Pelo contrário. Diz mais de uma vez que uma oração com fé pode libertar a pessoa em cinco minutos. Prático e sempre bem humorado, Rufus enumerou alguns comportamentos que sinalizam a presença do demônio num problema que pode ser confundido com questões de saúde ou psicológicas. "O demônio sempre ataca a vontade", ensina. Perversões sexuais, alcoolismo, dependência de drogas e até o terrorismo são "hábitos companheiros do pecado" que podem ser resultado de trabalhos do mal. Casos que uma simples oração de libertação pode solucionar. Mas Rufus reconhece que distinguir uma doença de um trabalho do demônio pode ser difícil. O discernimento pede ajuda da "orientação do Espírito Santo e da sabedoria da Igreja para o diagnóstico certo". Mas o próprio Rufus lembra que em seu primeiro exorcismo não sabia como reagir. "Não me ensinaram no Seminário". Hoje, com três décadas de prática, padre Rufus conta entre 20 e 30 exorcismos feitos.
Em 1976, durante um retiro com as irmãs de Santana, padre Rufus viu o demônio pela primeira vez. Uma família amiga das freiras enfrentava uma série de doenças e desavenças e insistiu para que o padre rezasse por eles. Uma única frase dita fez a mãe distorcer a face, falar um inglês perfeito - "Volte para Bombaim" -, ganhar força e partir para cima de padre Rufus. "O Espírito Santo veio sobre mim, disse parem, esperem e comecei a rezar em línguas. A mulher ficou com o rosto de um anjo e as mãos levantadas", conta. Em 1993, foi criada a Associação Internacional dos Exorcistas. Padre Rufus foi um dos fundadores e permaneceu como vice-presidente por 10 anos. Em 1995, surgiu a Associação Nacional para a Libertação que treina padres para o exorcismo em todo o mundo. No Brasil, o treinamento já ocorreu em Aparecida (SP). O I Misericórdia Brasil foi organizado pelo Instituto Hesed dos Irmãos e Irmãs da Santa Cruz e da Bem Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

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